O SONHO
(Roubado ao José Vilhena)
– Ontem tive um sonho terrível - disse a jovem americana. – Sonhei que me encontrava sozinha, fechada num quarto com um preto horrível. (Na América, todos os pretos são horríveis.)
O negro avançava vagarosamente para mim, – continuou a jovem americana – e eu ia recuando, recuando. Não tinha a menor ideia do que me ia fazer mas o sangue começava a gelar-se-me nas veias. Ele estendia os longos braços na extremidade dos quais as mãos procuravam o meu corpo. (Na América, os negros têm as mãos na extremidade dos braços.)
Silenciosa e inexoravelmente, o homem avançava e eu recuava. O medo aumentava de segundo a segundo e a minha imaginação via já o preto linchado por ter violado uma mulher branca. (Na América, ainda se usa: os pretos violam as brancas e os brancos lincham os pretos.)
A certa altura senti que não podia recuar mais pois estava já encostada à cama onde caí de costas. O negro estava em cima de mim. Rasgou-me o soutien e as calcinhas. (Na América, é assim: os pretos, antes de violarem as mulheres brancas, tiram-lhes as calcinhas.)
O medo atingiu o paroxismo. Soltei um grito: «Que é que me vais fazer, desgraçado?»
– Eu cá não sei, menina. Não sou eu que estou a sonhar...
ANIMAL
Vê-se bem como sou anti-americano primário
(Roubado ao José Vilhena)
– Ontem tive um sonho terrível - disse a jovem americana. – Sonhei que me encontrava sozinha, fechada num quarto com um preto horrível. (Na América, todos os pretos são horríveis.)
O negro avançava vagarosamente para mim, – continuou a jovem americana – e eu ia recuando, recuando. Não tinha a menor ideia do que me ia fazer mas o sangue começava a gelar-se-me nas veias. Ele estendia os longos braços na extremidade dos quais as mãos procuravam o meu corpo. (Na América, os negros têm as mãos na extremidade dos braços.)
Silenciosa e inexoravelmente, o homem avançava e eu recuava. O medo aumentava de segundo a segundo e a minha imaginação via já o preto linchado por ter violado uma mulher branca. (Na América, ainda se usa: os pretos violam as brancas e os brancos lincham os pretos.)
A certa altura senti que não podia recuar mais pois estava já encostada à cama onde caí de costas. O negro estava em cima de mim. Rasgou-me o soutien e as calcinhas. (Na América, é assim: os pretos, antes de violarem as mulheres brancas, tiram-lhes as calcinhas.)
O medo atingiu o paroxismo. Soltei um grito: «Que é que me vais fazer, desgraçado?»
– Eu cá não sei, menina. Não sou eu que estou a sonhar...
ANIMAL
Vê-se bem como sou anti-americano primário

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